Entrevista com Tatiana Falcão
Entrevista com Tatiana Falcão
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Entrevista com Tatiana Falcão

Edição 53
ISSN: 2357/7428
Agosto/2025
10 min

Presidente da Academia Paraibana de Ciências Contábeis (APBCICON)

Quais têm sido os principais marcos e desafios enfrentados durante a sua gestão à frente da APBCICON?

Assumir a presidência da APBCICON tem sido uma jornada de emoção, aprendizado e compromisso coletivo. O grande marco dessa gestão tem sido a consolidação da Academia como uma instituição viva, que pulsa conhecimento, conecta pessoas e valoriza a produção científica dos seus membros.

Foi diante dos desafios encontrados que surgiu um dos projetos de maior relevância da nossa gestão: o Inovacad, um movimento pioneiro que reuniu mais de 16 Academias de diferentes profissões, dentre as quais se destacam: Economia, Direito, Administração, Academia Paraibana de Poesias, de letras e artes do vale de Mamanguape, Academia Paraibana de Medicina, Academia Paraibana de Letras Maçônicas, entre outras, com o propósito de desenvolver ações conjuntas e inovadoras. O Inovacad foi um divisor de águas. Ele mostrou o poder da união entre as Academias e o quanto podemos avançar quando pensamos de forma colaborativa.

Dessa experiência coletiva nasceram dois grandes projetos de impacto:

  • Seminário para aproximar as academias das Universidades
    “Da Caneta ao Algoritmo: Como a Inteligência Artificial pode Transformar a Escrita e a preservação do patrimônio Literário”
    – que discute os efeitos, responsabilidade e as possibilidades da IA na produção científica e acadêmica.
  • Projeto voltado para contadores, empresários, economistas, administradores, entre outros:
    “Impactos da Reforma Tributária nas Empresas, que propõe reflexões sobre o novo cenário tributário brasileiro e suas implicações no meio contábil, empresarial e cultural.”

Esses projetos são exemplos de como a contabilidade pode dialogar com temas contemporâneos e inspirar novas formas de pensar e agir.

Assumir a presidência da APBCICON tem sido uma jornada de emoção, aprendizado e compromisso coletivo. O grande marco dessa gestão tem sido a consolidação da Academia como uma instituição viva, que pulsa conhecimento, conecta pessoas e valoriza a produção científica dos seus membros.

Entre os desafios, está o de encantar as novas gerações, mostrando que a Contabilidade é uma ciência viva e transformadora.
“Mesmo com recursos limitados, seguimos movidos pela paixão e pelo compromisso dos nossos acadêmicos, que fazem da APBCICON uma verdadeira força de inspiração.”

De que forma sua trajetória como professora e gestora acadêmica influencia a atuação na presidência da Academia?

Para mim, a trajetória como professora e gestora acadêmica é a base de tudo o que faço como presidente da APBCICON. Ela molda meu olhar, minha sensibilidade e meu jeito de conduzir a Academia.

Como professora, aprendi que ensinar é ouvir, acolher e inspirar. Cada aluno é único, cada dúvida é oportunidade de crescimento, e cada conquista é motivo de celebração. Essa experiência me ensinou a valorizar o diálogo, a paciência e a construção coletiva do conhecimento — qualidades que aplico diariamente na presidência, ao conduzir projetos, debates e iniciativas que envolvem acadêmicos, profissionais e estudantes.

Como gestora da APBCICON, desenvolvi a capacidade estratégica, visão de futuro e habilidade de organização, sem perder o olhar humano. Aprendi a planejar ações, motivar equipes e integrar diferentes ideias para gerar resultados concretos. Na APBCICON, isso se traduz em projetos bem estruturados, ações inovadoras e um ambiente que estimula a participação e a criatividade de todos.

No cenário contemporâneo, marcado pela transformação digital, inteligência artificial e exigências da agenda ESG, as Academias têm um papel estratégico: inspirar, provocar e antecipar tendências, conectando teoria e prática de forma crítica e ética. Elas podem ser pontes entre o universo acadêmico, a prática profissional e a sociedade.

Portanto, minha experiência docente e administrativa não apenas influencia, mas norteia minha liderança: busco unir rigor científico, sensibilidade e entusiasmo, fazendo da Academia um espaço de transformação, inspiração e valorização da Ciência Contábil.

Como a APBCICON tem fortalecido o vínculo com as universidades e estudantes? Quais iniciativas você destacaria?

Sempre que comento isso o faço com brilho nos olhos sobre a prioridade de aproximar a Academia do ambiente acadêmico. As universidades e os estudantes são o coração do futuro da Contabilidade. Nosso papel é inspirar, provocar e orientar.

Entre as ações implementadas, destacam-se:

  • Os Seminários de Integração Científica, que estimulam a pesquisa e a produção de artigos, entre os quais destacam-se:
    • Seminário para aproximar as academias das Universidades “Da Caneta ao Algoritmo: Como a Inteligência Artificial pode Transformar a Escrita e a preservação do patrimônio Literário”, que discute os efeitos, responsabilidade e as possibilidades da IA na produção científica e acadêmica.
  • Disseminação das Novas Diretrizes Curriculares Nacionais – Em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Paraíba, proporcionando encontros com professores e coordenadores dos cursos de Ciências Contábeis para esse fim.
  • Prêmio Saber Contábil: Em parceria com a Abracicon – Divulgação e incentivo à produção científica para que as universidades possam participar do Prêmio promovido pela Academia Brasileira de Ciências Contábeis.
  • E as parcerias com instituições de ensino superior, que têm levado a presença da APBCICON nos eventos da IES, despertando nos jovens o interesse pela Ciência Contábil.

Como você enxerga o papel das Academias Estaduais de Ciências Contábeis diante dos desafios contemporâneos, como a transformação digital e a agenda ESG?

Vejo as Academias Estaduais de Ciências Contábeis como verdadeiros laboratórios de inovação e guardiãs da memória da profissão. Elas têm a missão de unir tradição e futuro, preservando o conhecimento acumulado ao longo de décadas e, ao mesmo tempo, desafiando o presente a se reinventar.

No cenário contemporâneo, marcado pela transformação digital, inteligência artificial e exigências da agenda ESG, as Academias têm um papel estratégico: inspirar, provocar e antecipar tendências, conectando teoria e prática de forma crítica e ética. Elas podem ser pontes entre o universo acadêmico, a prática profissional e a sociedade, mostrando que a Contabilidade não é apenas técnica, mas uma ciência capaz de gerar impacto social, ambiental e econômico.

Além disso, acredito que as Academias devem estimular a produção intelectual colaborativa, criando redes de conhecimento entre acadêmicos, estudantes e profissionais. Projetos como o Inovacad, que reuniu mais de 16 Academias para desenvolver iniciativas conjuntas, mostram que a união fortalece a pesquisa e a inovação.

Do encontro surgiram propostas que refletem o futuro da Contabilidade, como “Da Caneta ao Algoritmo”, sobre a inteligência artificial na escrita, e “Impactos da Reforma Tributária”, voltado à análise crítica do novo cenário empresarial e à preservação do patrimônio literário.

Em síntese, as Academias Estaduais são fábricas de pensamento crítico, inovação e inspiração. Elas nos lembram que a contabilidade é muito mais do que números: é transformação, responsabilidade e propósito. E é justamente nesse espaço que podemos preparar profissionais que olham para o amanhã com coragem, ética e criatividade, enfrentando os desafios contemporâneos e contribuindo para um mundo mais justo e sustentável.

Acredito que as Academias devem estimular a produção intelectual colaborativa, criando redes de conhecimento entre acadêmicos, estudantes e profissionais. Projetos como o Inovacad, que reuniu mais de 16 Academias para desenvolver iniciativas conjuntas, mostram que a união fortalece a pesquisa e a inovação.

Quais temas você considera prioritários para a formação das novas gerações de profissionais da contabilidade?

A Contabilidade do século XXI exige profissionais multidimensionais, capazes de compreender não apenas números, mas também contextos sociais, econômicos, tecnológicos e ambientais. Para formar contadores preparados para os desafios contemporâneos e futuros, acredito que a Academia deve priorizar temas estratégicos, inovadores e globais, entre os quais destaco:

  • Transformação Digital e Inteligência Artificial:
    com a revolução digital, tecnologias como IA, blockchain e análise de dados estão transformando a forma como registramos, interpretamos e tomamos decisões contábeis. Formar profissionais capazes de utilizar essas ferramentas de forma ética e estratégica é essencial para manter a relevância da contabilidade.
  • Sustentabilidade e Agenda ESG (Environmental, Social and Governance):
    a Contabilidade agora precisa medir e reportar não apenas resultados financeiros, mas também impactos ambientais e sociais. O profissional do futuro deve entender como as empresas gerenciam riscos ESG e como essas práticas afetam a transparência, a reputação e a longevidade organizacional.
  • Reforma Tributária e Regulação Nacional e Internacional:
    o cenário tributário brasileiro passa por transformações profundas, enquanto normas internacionais de contabilidade (IFRS) evoluem constantemente. Preparar profissionais que compreendam, interpretem e apliquem essas mudanças é vital para garantir competitividade e conformidade.
  • Contabilidade Forense e Gestão de Riscos:
    fraudes, compliance e governança corporativa estão cada vez mais no centro das atenções. A contabilidade forense se torna ferramenta indispensável para proteger patrimônio, assegurar integridade corporativa e fortalecer a confiança na profissão.
  • Preservação do Patrimônio Cultural e Intelectual:
    a Ciência Contábil também tem um papel social e histórico: documentar, proteger e valorizar o patrimônio literário, científico e organizacional do país. A integração entre pesquisa, preservação e inovação fortalece a identidade da profissão.

Em síntese, acredito que a formação das novas gerações deve equilibrar técnica, ética, inovação e visão global. A Academia, como espaço de reflexão e estímulo à pesquisa, tem o papel de contribuir para preparar profissionais que não apenas acompanhem as mudanças, mas sejam protagonistas da evolução da contabilidade, influenciando práticas nacionais e internacionais e fortalecendo a ciência contábil para o presente e para o futuro.

O contador do futuro é um agente de transformação, alguém que interpreta dados, mas também compreende pessoas e contextos. Essa é a nova essência da nossa profissão.

A contabilidade é muito mais do que números; é uma ciência que traduz vidas, constrói histórias e transforma realidades. Ela nos ensina a olhar para o mundo com rigor, ética e sensibilidade, enxergando em cada desafio uma oportunidade de aprendizado e crescimento.

Para encerrar, qual mensagem você gostaria de deixar aos profissionais e estudantes que acompanham o trabalho da APBCICON?

A todos os profissionais e estudantes que caminham conosco, deixo uma mensagem do coração:
“A contabilidade é muito mais do que números; é uma ciência que traduz vidas, constrói histórias e transforma realidades. Ela nos ensina a olhar para o mundo com rigor, ética e sensibilidade, enxergando em cada desafio uma oportunidade de aprendizado e crescimento”.

Aos profissionais, peço que mantenham viva a chama da atualização e da integridade, conscientes de que cada ação sua impacta empresas, pessoas e a sociedade. Aos estudantes, que cultivem a curiosidade, a coragem e o brilho nos olhos, pois são eles que conduzirão a profissão para um futuro inovador e sustentável.

A APBCICON está de portas abertas para todos os que acreditam no poder do conhecimento e da pesquisa. Juntos, podemos honrar o passado, celebrar o presente e construir um futuro extraordinário para a Contabilidade e para a sociedade.

Que o amor pelo saber e pelo fazer contábil inspire cada um de vocês a ser protagonista da transformação, sempre com ética, propósito, responsabilidade e muita paixão, pois a Contabilidade é Linda e nos inspira a continuarmos a nossa trajetória!!!