Título: The Rule of the Robots
Autor: Martin Ford
Ed: Bertrand Editora
Ano: : 2022 (original em 2021)
Apesar da ubiquidade do tema Inteligência Artificial (IA), o segundo best-seller de Ford, The Rule of the Robots, possui, até o momento (e até onde conhece esta coluna), apenas tradução em português europeu, O Futuro da Inteligência Artificial, da Editora Bertrand. Como ponto positivo, e reflexo da importância do assunto, a tradução ocorreu no ano seguinte à publicação do original. Se a automação era o tema do livro anterior, o impacto da IA é o centro da segunda obra-prima.
O autor desenvolve a metáfora de que a IA é a nova eletricidade, uma “eletricidade da inteligência”, por sua semelhança com a revolução que a descoberta de Benjamin Franklin ocasionou. Segundo o autor, a capacidade de a IA permear todas as áreas do conhecimento autoriza a comparação.
Os primeiros três capítulos introduzem e exploram em detalhe como o uso disseminado da IA deve transformá-la em uma espécie de “serviço de utilidade pública”, deixando de ser nicho para impactar inúmeros setores como medicina, educação, negócios, etc. A abordagem, segundo o próprio autor, é realista e, com as lentes de hoje, vemos que ele tinha razão. Não apenas notamos os impactos em todos os negócios como nas estruturas de governo em diferentes níveis.
Os capítulos 4 e 5 são um pouco mais técnicos, tratando de redes neurais, compreensão de textos, deep learning e outros conceitos fundantes do admirável mundo novo da IA e os desafios que se seguem deles.
Ford não explora apenas os aspectos positivos dessa revolução, ou seus conceitos basilares, mas dedica os capítulos 6,7 e 8 aos impactos sombrios, já presentes, da utilização da IA; e retoma a preocupação de sua obra anterior, o desaparecimento de empregos, desta vez os de maior nível cognitivo.
O autor alerta também para a utilização das ferramentas de IA por regimes totalitários, com o consequente aumento da presença do Estado na vida do indivíduo (Estado de Vigilância), e aponta para os riscos dos deepfakes, de armas autônomas e da ameaça existencial de uma superinteligência. O autor conclui que há dois caminhos possíveis, um benevolente e outro distópico.
Previsivelmente, entende que a separação estará calcada em nossa capacidade de impormos limites éticos e regulatórios ao longo da revolução inescapável. Terminamos esta coluna ampliando o último parágrafo da coluna anterior.
O ChatGPT e seu ecossistema de aplicativos, entre outras soluções de IA, tornaram a aparição de uma inteligência sobre-humana uma possibilidade real (a Singularidade, no linguajar dos futuristas como Ford).
Ford nos avisou dos muitos impactos dessa “eletricidade da inteligência” em 2021. Se a metáfora é adequada, estamos apenas no início da maior revolução da humanidade, certamente maior que a descoberta e o domínio da eletricidade!
Boa leitura!