Meu primeiro contato com a Contabilidade veio de casa. Meu pai é contador e construiu a vida profissional a partir dessa escolha. Ele veio de uma cidade pequena do interior do Paraná, onde, na época, as possibilidades eram mais limitadas. Entre poucas opções além do trabalho rural, e a Contabilidade foi o caminho que ele decidiu seguir. E deu certo.
Desde pequeno, portanto, cresci convivendo com essa realidade. Curiosamente, talvez por ter visto de perto a rotina de escritório, cercada de papéis, planilhas e processos, eu dizia para mim mesmo que jamais trabalharia com contabilidade. Não era o tipo de futuro que eu imaginava.
Quando terminei o ensino médio, ainda estudava para vestibulares, mas sem muita convicção sobre qual curso escolher. Foi então que meu pai me chamou para trabalhar com ele. Foi, como costumo brincar, por “livre espontânea pressão”. Acabei aceitando. Meu começo foi exatamente como acontece com muitos jovens em início de carreira: fazendo o que os mais experientes já não queriam fazer.
Lançava nota fiscal, preenchia planilhas em Excel, puxava documentos de sistemas, importava arquivos, conferia informações. Era uma rotina repetitiva, cansativa e, para ser honesto, bastante entediante para mim naquele momento. Eu não entendia o propósito de quase nada daquilo.
Via apenas tarefas mecânicas, e isso me afastava ainda mais da ideia de seguir nessa área. Mesmo assim, em 2020 prestei vestibular para Ciências Contábeis na Universidade Federal do Paraná e fui aprovado.
Em 2021, iniciei a graduação, ainda sem ter total certeza de que aquele seria, de fato, o meu caminho. O começo da faculdade foi desafiador. As aulas online, em razão da pandemia, já dificultavam bastante a adaptação. Depois, com o retorno presencial, veio um desafio ainda maior: conciliar o trabalho durante o dia com a faculdade à noite.
Muitas vezes eu chegava cansado, sem a energia ideal para acompanhar tudo como gostaria. Reprovei em algumas matérias. Houve momentos difíceis. Mas continuei.
E foi justamente nesse processo que algo começou a mudar.
Não houve um dia exato, nem uma única disciplina responsável por isso. A mudança veio aos poucos, à medida que fui compreendendo como as peças se encaixavam. Aquelas notas fiscais que eu lançava sem entusiasmo começaram a ganhar (…)