A Sociedade do Conhecimento do Século XXI
A Sociedade do Conhecimento do Século XXI
Por:
Cláudio Nogas
Leandro Ângelo Pereira
Sidney Reinaldo da Silva
Suelen Cristina de Araújo Vila Branca
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A Sociedade do Conhecimento do Século XXI

Edição 39
ISSN 2357/7428
Abril, 2022
7 min

AUTOR

Cláudio Nogas

Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade Católica de Administração e Economia (1986), Especialização em Contabilidade e Controladoria pela UFPR (1996). Mestrado em Contabilidade e Controladoria pela Universidade Norte do Paraná (2001) e Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2013).

AUTOR

Leandro Ângelo Pereira

Doutor em Métodos Possui graduação em Biologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002), mestrado em Ciências Veterinárias na área de Meio Ambiente e Desenvolvimento (2004), especialização em Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento (2005) e é doutor na área de Ecologia e Conservação pela Universidade Federal do Paraná (2012)

AUTOR

Sidney Reinaldo da Silva

Graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1987), Mestrado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (1994). Doutoradoem Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (1999) e Pós-doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2003).

AUTORA

Suelen Cristina de Araújo Vila Branca

Graduada em Ciências Contábeis pela Unespar, campus Paranaguá. Pós-graduada em Administração e Finanças, Engenharia de Produção e Estratégia de Custos. Mestre em Ciência, Tecnología e Sociedade pelo Instituto Federal do Paraná- campus Paranaguá

Resumo

A pesquisa busca trazer uma abordagem conceitual da teoria da Sociedade do Conhecimento, também conhecida como sociedade do intangível. O objetivo geral deste estudo é apresentar um referencial teórico sobre a sociedade do conhecimento, dentro do termo intangível no âmbito contábil.

Para atender ao objetivo geral, que é apresentar um referencial teórico sobre a sociedade do conhecimento, os objetivos específicos foram desmembrados em: conceituar sociedade do conhecimento; abordar os principais conceitos ligados à sociedade do conhecimento; discutir sobre a sociedade do intangível e abordar sobre o trabalhador do conhecimento.

Quanto à metodologia utilizada, é uma abordagem qualitativa, do tipo básica e quanto aos procedimentos é bibliográfico. Conclui-se que esta nova sociedade pós-industrial, o homem não é mais considerado “um acessório” das máquinas na produção, o capital não é mais o centro, mas, sim, o conhecimento.

A chave é o conhecimento humano, principalmente no que se refere ao conhecimento tácito.

1 INTRODUÇÃO

Na era industrial, o homem era considerado um “acessório” para as máquinas e equipamentos, o conhecimento humano era parcial e, não, holístico, e os movimentos eram repetitivos, o que, com o passar do tempo, provocou um aumento de (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dorts) (SANTO; TADEUCCI, 2012).

A cobrança com o foco na quantidade produzida era tanta que ocasionou muito stress e principalmente muitas doenças físicas como: tendinite, bursite, entre outras, pois as máquinas Coluna Prime Artigo que ditavam o ritmo de trabalho, bem como a execução do tempo estabelecido. Segundo Taylor, o homem só produzia um terço da sua capacidade dentro da empresa (MOTT; VASCONCELOS 2004).

Com o surgimento das máquinas a vapor, da construção de estradas de ferro, do surgimento de grandes indústrias, começou-se a migração de trabalhadores rurais para uma tentativa de uma vida melhor nas grandes cidades. Desta forma houve uma superlotação nas cidades, de forma que houve excesso de mão de obra, para pouca demanda, ocasionando assim, muitos desempregos, muitas famílias com dificuldades de se manterem financeiramente (SANTO; TADEUCCI, 2012).

A sociedade do conhecimento surge com o desenvolvimento da informação, principalmente com o surgimento da globalização, onde há uma disseminação de informações, em que a sociedade que as utiliza transforma em conhecimento. Com este salto no conhecimento, surgem novas técnicas, assim também é estimulada a inovação no processo produtivo (SCHUMPETER, 2011; ADOLF; STEHR, 2017; STEHR, 2018).

Com a utilização da internet para uso comercial, criou-se uma concepção de valores, pois alterou-se a forma de se trabalhar, alteraram-se as ferramentas e as relações sociais. Assim as mídias tradicionais são também conhecidas como a era da sociedade da informação, que está sendo superada pela nova sociedade, denominada “sociedade do conhecimento”, onde o foco está nos ativos intangíveis e onde as informações passam a ter valor, se for aplicado ao conhecimento (VIEGAS, 2005).
Segundo Davenport (2000), há uma preocupação em que a informação produzida por meios tecnológicos realmente atenda às necessidades empresariais ou se somente produzem informação por informação.

Para Ramonet (1999), na sociedade da informação, as premissas eram responder questões como: quem, quando, onde, o porquê, entre outras questões. Já atualmente as informações somente são geradas, mas ainda não transformadas em conhecimento.

Esta nova sociedade alterou também o processo econômico, pois é uma sociedade onde a chave é o conhecimento, denominada também como sociedade pós-capitalista. Assim, percebe-se que nesta sociedade o capitalismo está ganhando uma nova face, a feição do intangível, no qual são incorporados os conhecimentos relacionados às empresas. Dessa forma percebe-se que os valores sociais são incorporados no conhecimento (ciência) e na tecnologia (aplicação desta ciência), gerando um novo capitalismo, uma nova economia, denominada “sociedade do conhecimento ou sociedade intangível”. (VIEGAS, 2005).

O objetivo geral deste estudo é apresentar um referencial teórico sobre a sociedade do conhecimento, dentro do termo intangível contábil.

Para atender ao objetivo geral, os objetivos específicos foram desmembrados em:

• Conceituar sociedade do conhecimento.
• Abordar os principais conceitos ligados à sociedade do conhecimento.
• Discutir sobre a sociedade do intangível.
• Abordar sobre o trabalhador do conhecimento.

O problema da pesquisa é abordar qual é a relação desta nova sociedade do conhecimento, também denominada intangível com os ativos intangíveis na contabilidade.

A justificativa se baseia no livro “O Capitalismo sem Capital”, em que um dos principais problemas da sociedade é não entender a mudança constante dos ativos intangíveis, o que resulta em desigualdade social, problemas de gestão, problemas de crescimento econômico e estagnação da inovação. Desta forma, entender a sociedade intangível é tentar mensurar o capitalismo sem mensurar somente o investimento (capital)(HASKEL; WESTLAKE, 2018).

Os ativos são considerados os bens e direitos das empresas, com o surgimento da contabilidade. Estes ativos eram os bois, as ovelhas, as galinhas, enfim, os animais do campo, os bens e direitos em geral, mas, com o passar do tempo, as empresas foram evoluindo, conforme a sociedade também evoluía. Assim chegou a era industrial, em que os ativos passaram a serem as máquinas, computadores, os veículos, caminhões, as fábricas, entre outros (HASKEL; WESTLAKE, 2018).
Nesta sociedade, o homem é o fator fundamental na empresa, em específico o capital humano, o conhecimento passa a ser um diferencial competitivo.

2 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Em meados na década 60, Alvin Toffler e Daniel Bell, iniciaram o tema sobre a sociedade pós-industrial. Com o advento da internet e da globalização, a mentalidade de assuntos abstratos, intangíveis, tornaram-se cada vez mais aceitos pela sociedade da época (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

Segundo Haskel (2018, p,17), “os sociólogos abordaram uma sociedade em rede, uma economia pós-fordista (…), desta maneira surge a Economia do Conhecimento”. Os economistas passaram a aderir a ideia de incorporar P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) no modelo econômico empresarial (HASKEL; WESTLAKE, 2018).
A Era do conhecimento se baseia na capacidade intelectual, na geração de inovação. Para desenvolver o conhecimento, existem três pilares: o método Kaizen (desenvolvido pelos japoneses, que é o aperfeiçoamento contínuo dos processos, produtos e serviços), explorar o conhecimento para desenvolver novos produtos, processos e serviços, e o terceiro é gerar inovação. Deste modo a empresa obterá uma vantagem competitiva (BATOCCHIO; BIAGIO ,2012).

Após a era industrial, surgiram teorias modernas como a sociedade do conhecimento.

Para Davenport (1998) o conhecimento é algo simples, mas que modifica o que já existe, por meio do elemento humano. Drucker em seu trabalho The Age of Discontinuity (1968), em seguida Daniel Bell abordaram sobre o surgimento de uma nova sociedade pós-industrial, denominada como sociedade do conhecimento. (ADOLF; STEHR, 2017).

Nico Stehr (2018), um sociólogo alemão, abordou a “Teoria da Sociedade do Conhecimento”, onde o conhecimento é o principal recurso produtivo econômico, e passa a ser tratado como uma forma de mercadoria, como um tipo de propriedade, desta forma o capital físico se torna obsoleto, mas o conhecimento se transforma em lucro (FREITAS; HEIDEMANN; ARAUJO, 2020).

No livro “Capitalismo sem Capital: a ascensão da Economia Intangível”, de Jonathan Haskel and StianWestlake (2018), enfatiza que esta nova economia trabalha de forma antagônica à economia tradicional, portanto para analisá-las é necessário utilizar ferramentas novas. No caso o ponto fundamental, não é saber que esta nova economia existe e, sim, poder interpretá-la; poder e estimular a capacidade cognitiva; possuir um olhar no futuro, prevendo fluxos de caixa futuros, entendendo o abstrato, o intangível, que é a chave de tudo.

Esta nova vertente se forma com o foco não mais no capital em si, mas no capital humano, no conhecimento, no fomento à inovação. É a nova economia conhecida como intangível, cujo foco principal é o conhecimento, também chamado “Economia da Informação”, ou “sociedade de economia intangível” (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

2.1 Sociedade da economia intangível

A economia funciona tanto com investimentos tangíveis como os intangíveis, como por exemplo, os softwares, marcas, patentes, relações sociais, reputação, o conhecimento interno, principalmente o conhecimento tácito, em que levam tempo e recursos financeiros para a sua construção (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

A palavra intangível vem do latim tangere, que significa tocar, ou perceptível ao toque, ou seja, são bens que não podem ser tocados, são abstratos, sem corpo, assim como o conhecimento, uma base de dados por exemplo, em que mais pessoas podem usufruir do bem ao mesmo tempo (MARTINS, 1972; MIRANDA, 2016).

Peter Drucker (1993, p.16) “visava uma sociedade pós-capitalista, em que o recurso físico deixaria de ser o “capital” e passaria a ser o “conhecimento”. Para o autor, o conhecimento é visto como uma habilidade, como principal meio de produção, superando o capital em si (MIRANDA, 2016).

Para Miranda (2016) “o conhecimento é intrínseco a todas as etapas da vida humana. Esse conhecimento é crescente ao longo dos séculos, permitindo-o assumir o papel de principal condutor da sociedade no século XXI”.

O conhecimento, então, seria o elemento que está em tudo o que uma empresa faz, na formação de um produto, nos processos, nas tomadas de decisões. Produtos e serviços de sucesso têm o conhecimento como o principal diferencial, sendo este o principal ativo de uma empresa na chamada Economia do Conhecimento. O valor não está somente no repasse do conhecimento, mas na sua aplicação, sua valorização ocorre quando esta aplicação gera resultados (VALLE, 2016).

O conhecimento aplicado em tecnologia que antes possuía uma forma física, como o exemplo de um motor, atualmente vem sendo incorporado a conceitos intangíveis, como a marca. Isto é, sem forma corpórea, como os bancos de dados, as marcas, patentes e principalmente pesquisa e desenvolvimento e Inovação (P&DI), sendo cada vez mais valorizados, desta forma agregando valor para as organizações, auxiliando na inovação (MACEDO, 2018).

Uma estrutura flexível, descentralização e delegação das atividades, apresentação de opiniões produzem um ambiente mais propício para a inovação, estimulando mais a construção do conhecimento, tanto nas academias quanto nas empresas (MIRANDA, 2016).

A sociedade começa a se desenvolver melhor quando há um salto no conhecimento, assim surgem novas técnicas e estimula a inovação no processo produtivo (SCHUMPETER, 2011).

Para Drucker (1993), a inovação é a aplicação de um conhecimento para a produção de um novo conhecimento. O autor abordava o método Kaizen, no qual focava em pequenas mudanças constantes, para a obtenção de uma melhoria contínua. Para ele, caso uma organização focasse nos seus pontos fortes, haveria mais inovação, podendo esta ser intangível.

Dessa forma, o que predomina nessa nova economia são os investimentos que possuem essa característica intangível. A própria B3 (BRASIL, BOLSA, BALCÃO, 2022), a Bolsa de Valores brasileira, faz parte dessa nova economia intangível. Pois é um ambiente digital, que utiliza a tecnologia (intangível), para se comprar e vender ações, um ambiente abstrato, onde se tomam decisões de compra e vendas, afetando o ambiente organizacional.

2.2 Ativos Intangíveis

No ano de 1998, Young abordou sobre os ativos intangíveis nas políticas públicas. No ano de 2005, Corrado, Hulten e SicheL foram os primeiros a publicar sobre os investimentos em ativos intangíveis em empresas americanas. Em 2006 Hulten levou o trabalho sobre os ativos intangíveis para o Reino Unido (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

Antigamente os ativos mais relevantes eram os ativos tangíveis, considerados os ativos fixos, a mensuração era de coisas físicas, como máquinas, equipamentos, que faziam parte do Balanço das empresas. Depois surgiram os ativos intangíveis, sendo de difícil mensuração para contadores e advogados (considerados como pessoas onipresentes do capitalismo financeiro), que em vez de utilizarem os “laptops” passaram a avaliar de forma subjetiva, com seu capital intelectual (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

No Brasil o intangível, a Lei n.º11.638/2007 criou a nomenclatura intangível, seguindo aos padrões internacionais, o que antes era chamado de ativo permanente (BRASIL, 2007).

Conforme a Lei n.º 6.404/1976, que dispõe das Sociedades por Ações, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, os ativos de uma empresa são divididos em dois grandes grupos: ativo circulante (estão em constante circulação até 12 meses) e não circulante (após 12 meses). O ativo não circulante é dividido em quatro principais grupos: Realizável à Longo Prazo, Investimento, Imobilizado e Intangível (BRASIL, 1976).
O grupo dos ativos intangíveis foi introduzido no Brasil pela Lei n.º 11.638/2007 (BRASIL, 2007). De acordo com o CPC 04 (R1), o ativo intangível é um ativo sem substância física, não corpóreo, imaterial, como, por exemplo, as marcas, patentes, as franquias, as concessões, os direitos autorais, as licenças de uso, os softwares, a construção da tecnologia, licenças, o direito de exploração, gastos com P&D, treinamento, os gastos pré-operacionais do início das operações, o Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura), entre outros. Esses tipos de ativos geram uma vantagem competitiva para a empresa (GELBCKE; SANTOS; IUDÍCIBUS; MARTINS; 2018).

De acordo com o CPC 04 (R1), há três principais características de um ativo intangível, sendo que a primeira deverá possuir uma identificação; a segunda característica é que a entidade precisa manter seu controle; e a última é que precisa ter provável benefícios econômicos futuros associados a esse ativo.

2.3 Evolução ativos intangíveis

A Figura 1 demonstra o número de ocorrências da palavra-chave “Intangível” publicados em revistas científicas, em que a base de dados era a Science Direct. Iniciando estudos sobre os intangíveis, no ano de 1980, com menos de 20 publicações e chegando ao ápice no ano de 2016 com mais de 170 publicações. No ano de 2006, anterior à Lei n.º 11.638/2007, que introduziu o Intangível no Brasil houve mais de 60 publicações internacionais (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

2.4 Exemplos de ativos intangíveis

Os ativos intangíveis estão por todos os lugares. É possível encontrá-lo nas academias, com a marca Bodypump®, onde é um tipo de exercício que aplica intervalos de alta intensidades, mais conhecidos como HIIT, em que os participantes levantam pequenos pesos, conforme o ritmo das músicas. Este tipo de exercício é registrado como propriedade da Les Mills International, uma empresa da Nova Zelândia, fundada por um levantador de peso olímpico chamado Les Mills, que percebeu que da sua ideia surgiu um produto, que poderia ser vendido para outras academias, atualmente o site da empresa estima 6 milhões de participantes por semana (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

O exemplo do trabalho dos cientistas de um laboratório de uma indústria farmacêutica, para a produção de novos medicamentos, em que aplicam recursos para produzir a patente ou adquiri-la, o investimento nesta patente será recuperado a longo prazo, dependendo da qualidade e eficiência do medicamento, são exemplos de ativos intangíveis, pois proporcionam benefícios ao longo do tempo (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

Em meados do ano 2000, a economia foi impactada com os surgimentos dos sites “pontocom”. “Foi nesse contexto que um grupo de economistas se reuniu em Washington em 2002 em uma reunião da Conferência de Pesquisa em Renda e Riqueza para pensar em como exatamente medir os tipos de investimento que ficou conhecido como “a nova economia”. (HASKEL; WESTLAKE, 2018, p.17).

Esses investimentos nos intangíveis chegaram a atingir um valor desproporcional dentro das empresas, como foi o caso da avaliação da Microsoft no ano de 2006, onde o valor de mercado chegou a US$250 bilhões de dólares, mas seu valor contábil registrado no Balanço Patrimonial era de a US$70 bilhões de dólares, sendo US$60 bilhões de dólares, era referente a Instrumentos Financeiros. Os ativos tangíveis equivalia na época em 4% dos ativos da Microsoft. Segundo Haskel (2018), este é o conhecido “capitalismo sem capital” (HASKEL; WESTLAKE, 2018).
Para Haskel et al. (2018, p. 18):

Pouco depois da conferência, Charles Hulten vasculhou contas da Microsoft para explicar por que valeu tanto (Hulten 2010). Ele identificou um conjunto de ativos intangíveis, ativos que “normalmente envolvem o desenvolvimento de produtos ou processos específicos, ou são investimentos em capacidades organizacionais, criando ou fortalecendo produtos plataformas que posicionam uma empresa para competir em determinados mercados”.

Os exemplos incluem as ideias geradas pelos investimentos da Microsoft em P&D e design de produto, o valor de suas marcas, suas cadeias de suprimentos e estruturas internas, e o capital humano construído pela formação. Embora nenhum desses ativos intangíveis seja físico da maneira que os prédios de escritórios ou servidores da Microsoft são, todos eles compartilham as mesmas características dos investimentos: a empresa teve que gastar tempo e dinheiro com eles antecipadamente, e eles entregaram valor ao longo do tempo, assim a Microsoft foi capaz de se beneficiar. Mas eles eram tipicamente escondidos dos balanços das empresas.

A mensuração de ativos intangíveis era uma tarefa muito difícil, tanto que contadores possuíam muita cautela, e no início preferiam não realizar essa mensuração devido à abordagem conservadora contábil, a não ser em casos excepcionais, quando havia venda destes ativos e havia diferença entre o preço contábil e de mercado (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

2.5 Características dos ativos Intangíveis

Existem características distintas entre os ativos tangíveis e intangíveis. A primeira delas é, caso haja alguma crise, os ativos intangíveis possuem mais dificuldades de recuperar os investimentos. Por exemplo, o custo do intangível é de difícil recuperação na hora de uma alienação, diferentemente do que ocorre com os ativos tangíveis, como as máquinas, ferramentas, etc., mesmo que as atividades sejam consideradas as mais específicas, como no caso de tratores gigantes australianos utilizados para a mineração, como as sondas de perfuração utilizadas em submarinos, ainda assim conseguem ser vendidos em leilões on-line. Já os investimentos em P&D são mais difíceis de serem recuperados na venda, por atenderem às necessidades específicas de cada organização (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

A segunda característica distinta entre os ativos tangíveis e intangíveis é sua capacidade de controle. Os autores exemplificaram uma fábrica de flugelbinders (ponta plástica dos calçados), para manter a segurança da fábrica (ativo tangível), a empesa investe em segurança, troca as fechaduras das portas, portões e consegue punir caso alguém tente invadir o local indevidamente.

Diferentemente do investimento em Ativos Intangíveis, um projeto de P&D, por exemplo, manter o segredo para evitar que copiem um novo design, ou evitar que o concorrente adquira um produto seu e realize uma engenharia reversa para analisar todas as etapas, evitar que outras empresas copiem suas ideias não é tão simples, a violação de patentes ainda é algo de difícil e demorada comprovação, não é algo tão simples quanto o controle de estranhos em uma fábrica (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

A terceira característica distinta é que os ativos intangíveis há uma propensão maior de serem escaláveis. A Coca-Cola por exemplo possui sede em Atlanta, seus ativos mais valiosos são intangíveis, como as marcas, acordos de licenciamento e a receita secreta do xarope que faz a Coca-Cola.

A maior parte da fabricação e venda são feitas por engarrafamento de empresas que assinaram um acordo para produzir o refrigerante, onde geralmente possuem fábricas próprias, frotas de veículos, entre outros aspectos logísticos, assim os ativos intangíveis da Coca-Cola são escalados de Atlanta para o mundo, reduzindo assim o custo e expandindo a marca, vendendo em média de 1,7 bilhão de Coca-Cola ao dia (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

O investimento é fundamental para movimentar a economia. Houve uma mudança na natureza do investimento, neste novo investimento não há uma face de robôs, computadores, entre outras tecnologias, embora esse investimento em tecnologias possua um papel fundamental na história, os investimentos que vêm ganhando força são os intangíveis: ideias, conhecimento, softwares, marcas, patentes, redes de relacionamento, treinamentos, entre outros, enfim, não podem ser tocados. Investir tempo e recursos é o que as empresas fazem (HASKEL; WESTLAKE, 2018).

Nessa nova sociedade, os profissionais ganhariam mais importância, pois, a partir deles, a organização poderia ser vista, assim nasce uma sociedade dos detentores do conhecimento (DRUCKER, 2003).

2.6 Trabalhador do conhecimento

Segundo Drucker (ano) o knowledgeworker (trabalhador do conhecimento) é análogo ao trabalhador industrial ou trabalhador de fábrica, do período capitalista. Esse trabalhador do conhecimento conhece muito bem sobre assuntos pertinentes à sua função, sendo um especialista nisto, possuindo assim um alto nível de instrução, habilidades, sendo um especialista na resolução de problemas, aplicando os seus conhecimentos (SPIRA, 2005).

Segundo Mayo (2003) o valor do capital humano está intimamente ligado à sua capacitação, que envolve muito mais que competência, habilidades, tempo de experiência, talento, comprometimento.

Para Viegas (2005, p. 26), os principais atributos ou características do trabalhador do conhecimento:
….Capacidade de resolução de problemas, mais do que de produção de coisas concretas, objetos materiais; capacidade de usar mais a capacidade intelectual, do que as habilidades manuais para sobreviver; alto nível de autonomia, sem necessidade de alguém para monitorar ou dizer-lhe o que e como fazer; capacidade de manipular símbolos; capacidade de produzir resultados de alta qualidade em tempo médio ou longo, ao invés de produtos (bens tangíveis) em tempo muito rápido; capacidade de lidar bem com processos e de criar respostas para problemas práticos; capacidade de ter um conhecimento difícil de duplicar e habilidade para aprender continuamente.

De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento é dividido em duas principais naturezas: o conhecimento tácito e o explícito. O conhecimento explícito serve de base para o conhecimento tácito, pois é regrado, é formal, há uma organização, etc. Já o conhecimento tácito e advém da experiência, da prática; são valores e crenças pessoais, são habilidades; é o conhecimento denominado intangível. Esse tipo de conhecimento vem ganhando cada vez mais força na sociedade (VIEGAS, 2005).

Assim, percebe-se que, nesta nova sociedade do conhecimento, o capitalismo está ganhando a feição do intangível, no qual são incorporados os conhecimentos relacionados às empresas. Dessa forma percebe-se que os valores sociais são incorporados no conhecimento (ciência) e na tecnologia (aplicação desta ciência), gerando um novo capitalismo, uma nova economia, denominada “sociedade do conhecimento” (DAGNINO, 2006).

3 METODOLOGIA

A metodologia utilizada quanto à abordagem será qualitativa, pois se baseia em palavras e discussões, e quanto à natureza será uma pesquisa básica. Segundo Prodanov et al. (2013), a abordagem com enfoque qualitativo, pois auxilia na coleta de dados e interpreta os fenômenos dando significado.

Para Gil (2008) a pesquisa básica está voltada para uma revisão de conceitos; há um levantamento da produção científica.

Quanto aos procedimentos, será bibliográfica, pois serão utilizadas referências de livros, artigos, periódicos. Segundo Prodanov et al. (2013, p.54), cita exemplos de pesquisa bibliográfica:
Livros, revistas, publicações em periódicos e artigos científicos, jornais, boletins, monografias, dissertações, teses, material cartográfico, internet, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o assunto da pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo descreve a sociedade do conhecimento através do viés contábil, enfatizando que a sociedade do conhecimento surgiu após o período industrial (em que o homem era considerado como uma parte da máquina), para ser um condutor do fator chave desta nova economia, que é o conhecimento.

O tema central é a sociedade do conhecimento, também conhecido como sociedade intangível. Com a crise financeira global, surgiram algumas dificuldades relacionadas à sociedade intangível, entre elas a desconfiança se haveria corrupção nas tecnologias. Nesta época o problema principal era consertar o problema financeiro que falhou, enquanto isso novas formas de capital estavam surgindo. O intangível acaba superando o tangível.

Esta sociedade do intangível sempre terá interesses por trás, interesse dos acionistas, interesse dos stakeholders (fornecedores, clientes, funcionários, governo, etc.).
O problema da pesquisa foi atendido exibindo a relação desta nova sociedade do conhecimento, também denominada intangível com o ativo intangível, que faz parte do ativo não circulante. O objetivo geral foi atendido, pois foi apresentado um referencial teórico sobre a sociedade do conhecimento, dentro do termo intangível contábil.

Nesta sociedade, os tipos de pesquisas elaborados não são neutros, pois incorporam valores sociais. E, no caso das empresas, o interesse é aumentar o faturamento, aumentar os lucros, enfim, interesses econômicos incorporados aos valores sociais, pois o desenvolvimento científico e tecnológico não são neutros, sendo influenciados por valores morais no contexto social.

Nesta sociedade é necessário constante aplicação do conhecimento, não apenas possuí-lo, sendo um símbolo de poder. O conhecimento adquirido pela experiência é algo intangível, mas de imenso valor.