Entrevista com Haroldo Santos Filho
Entrevista com Haroldo Santos Filho
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Entrevista com Haroldo Santos Filho

Edição 54
ISSN: 2357/7428
Novembro/2025
10 min

Presidente da Academia Capixaba de Ciências Contábeis (Acacicon)

À frente da Academia Capixaba de Ciências Contábeis, quais têm sido os principais desafios e conquistas da sua gestão, especialmente no fortalecimento do papel acadêmico da instituição no Espírito Santo? 

O maior desafio tem sido fazer a ACACICON “acontecer” de forma contínua: engajar acadêmicos, aproximar universidades, produzir conteúdo com método (e não só eventos) e manter uma governança simples, mas sólida, para dar previsibilidade às ações. Nas conquistas, destaco a consolidação de uma agenda com densidade técnica — com o ACACICON Summit como vitrine —, o avanço de parcerias institucionais e o fortalecimento da identidade acadêmica, preservando memória sem perder o foco no futuro. No fim, eu gosto de resumir assim: academia de verdade não é palco; é legado com entrega recorrente.

Sua trajetória reúne experiências na contabilidade, no direito, na gestão empresarial e na administração pública. De que forma essa atuação multidisciplinar contribui para a condução da ACACICON e para o desenvolvimento da classe contábil? 

Hoje a contabilidade é um ponto de encontro entre gestão, direito, governança e tecnologia. Minha atuação multidisciplinar ajuda a conduzir a ACACICON com rigor acadêmico, mas com aplicabilidade: escolher pautas que doem no dia a dia do profissional, elevar o nível do debate sem perder clareza e aproximar a Academia do mercado e das instituições. Isso contribui para formar um contador mais completo: técnico, estratégico, ético e preparado para decisões que impactam a sociedade. E tem uma ideia que eu carrego: conhecimento que não vira prática vira enfeite — e a contabilidade não nasceu para enfeitar.

Como conselheiro do CFC e atual vice-presidente de Governança e Gestão Estratégica, como você enxerga a importância da integração entre as Academias Estaduais e o Sistema CFC/CRCs para o avanço institucional da profissão? 

Eu enxergo como estratégica. As Academias podem ser núcleos de pensamento, memória e produção técnica, ajudando o Sistema a ganhar profundidade: mais base conceitual, mais pesquisa aplicada e mais consistência nas pautas institucionais. Quando Academia e Sistema caminham juntos, a profissão ganha unidade, autoridade técnica e legitimidade social — e isso melhora a imagem do contador e a qualidade do serviço entregue ao país. Em outras palavras: instituição forte não se faz só com normas — se faz com ideias, método e coerência.

Em um cenário marcado por transformação digital, inteligência artificial e demandas crescentes por sustentabilidade e transparência, qual deve ser o papel das Academias na preparação dos profissionais para esses novos desafios? 

As Academias precisam ser curadoras do essencial. IA e transformação digital já são infraestrutura do trabalho contábil; sustentabilidade e transparência viraram requisito, não discurso. O papel acadêmico é preparar o profissional em três camadas: competência técnica atualizada (dados, automação, controles), ética e governança no uso responsável da tecnologia, e visão de reporte transparente alinhada às novas exigências do mercado e da sociedade. E eu resumo de forma direta: o futuro não vai substituir o contador — vai substituir o contador que não evolui.

A ACACICON tem promovido iniciativas relevantes de valorização da história e da memória contábil, como a recente entrega de medalhas de mérito a autoridades e profissionais da área durante o ACACICON Summit. Como você avalia a importância dessas homenagens para o fortalecimento institucional da profissão e para a preservação da identidade da contabilidade capixaba e nacional? 

Essas homenagens têm um valor institucional enorme. Reconhecer trajetórias e contribuições não é formalidade: é construção de identidade, referência e pertencimento. Isso conecta gerações, reforça valores e mostra à sociedade que a contabilidade tem história, método e compromisso público. Preservar memória não é olhar para trás por saudade; é proteger as raízes para sustentar o próximo salto da profissão. Por isso eu digo: sem memória, a profissão perde raiz — e sem raiz, nenhuma instituição fica de pé.

Haroldo Santos Filho é contador e advogado, com especializações em Contabilidade Gerencial e Tributária e em Direito Tributário, além de mestre em Administração Financeira. É presidente da Academia Capixaba de Ciências Contábeis (ACACICON) e foi presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRCES). Atualmente, é conselheiro do CFC e exerce o cargo de vicepresidente de Governança e Gestão Estratégica. Atua como empresário nas áreas contábil e jurídica, com trajetória marcada pela liderança institucional e pelo fortalecimento da classe contábil