Entrevista com Joaquim Bezerra Filho
Entrevista com Joaquim Bezerra Filho
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Entrevista com Joaquim Bezerra Filho

Edição 40
ISSN: 2357/7428
Julho, 2022
5 min

Presidente da Academia Piauiense de Ciências Contábeis – Apicicon

Como foi o início da sua trajetória na área contábil e quais foram os mais relevantes aprendizados que a contabilidade lhe proporcionou até os dias atuais?
Eu iniciei na Contabilidade, como todo profissional, pela Academia. Em 1997 eu fui aprovado no vestibular com apenas 17 anos de idade. Quando entrei na faculdade, imediatamente me identifiquei com a profissão e decidi assumir o movimento estudantil de Ciências Contábeis, criando o Centro Acadêmico, criando o Diretório Central do Estudante, que era uma faculdade que estava no seu segundo ano de curso de ciências contábeis.

E com esse passo dado comecei a dar contribuições para outras universidades criarem os seus próprios centros acadêmicos e diretórios até que formamos a executiva estadual de estudantes de Ciências Contábeis, que era uma reunião de todos os líderes que presidiam os centros acadêmicos daquelas universidades.

Dali o movimento foi crescendo e a gente saiu de uma executiva estadual, com o intuito de formar uma executiva regional, e com isso visitamos todos os estados no Nordeste, criando as executivas estaduais de cada estado, até que formamos a executiva regional. Com isso a gente conseguiu ser o maior movimento de estudantes de uma profissão no Nordeste e contribuímos para o fortalecimento da federação nacional de estudantes de Ciências Contábeis. Ao longo dos quatro anos de minha faculdade defendi e lutei pelo movimento estudantil em todas essas etapas.

Claro que, como a gente já tinha esse trabalho feito enquanto estudante, quando me formei passamos a dar uma contribuição ao nosso conselho de classe. É bem verdade que eu sempre tive presente em todos os movimentos, atividades e eventos do conselho regional de contabilidade do estado do Piauí, mas logo cedo eu fui despertado para contribuir com a comissão nacional de integração estudantil pelo trabalho que a gente tinha feito ali, como estudantes.

Essa comissão nacional de integração estudantil era uma comissão do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, que que buscava uma aproximação dos estudantes com a classe. O principal tema do debate era o, chamado na época, provão do MEC. Com isso participei da primeira comissão no Conselho Federal de Contabilidade.

Dali em diante começou esse trabalho junto ao CFC depois da comissão de integração estudantil se transformou em CRC Jovem, na gestão da Maria Clara, e logo na gestão seguinte, do presidente Juarez, eu fui convidado para ser suplente do Conselho Federal de Contabilidade. Fiquei um mandato como suplente e estou no meu terceiro mandato como um conselheiro efetivo.

Então estou aí, ao longo dos quatro mandatos de conselheiro. E nessa saga a gente começou a ser procurado pela própria gestão e terminamos assumindo uma vice-presidência de política institucional por três mandatos. Hoje eu estou na vice-presidência de desenvolvimento operacional.

Toda essa trajetória me fez, cada vez mais, me aperfeiçoar da temática e dos temas que envolvia a contabilidade, sobretudo a evolução da própria profissão, já que nós estamos aqui há duas décadas de formado. Estou na contabilidade desde que se usava ainda livros manuais.

Todo o desenvolvimento da profissão, junto à tecnologia e todos esses ensinamentos, naturalmente foram e vão formando a personalidade e vão formando o profissional e isso foi me levando a tomar decisões importantes de cada vez mais me dedicar a essa atividade social de representar a classe, de estar à disposição para servir à classe de alguma forma e que, naturalmente, vai nos habilitando para poder dar contribuições cada vez maiores.

 

 

Como está sendo sua experiência atuando como presidente da Academia Piauiense de Ciências Contábeis?
Em 2015, a Academia Piauiense de Ciências Contábeis foi fundada com dez acadêmicos fundadores e nosso nome foi lembrado na primeira rodada de admissões dos outros vinte acadêmicos, meu nome foi lembrado e então fui convidado. A essa época eu já era profissional graduado já com duas especializações, lecionando na Universidade Estadual do Piauí, Centro de Ensino Superior do Vale do Parnaíba, e dando palestras no Brasil todo, e também sendo professor convidado de algumas universidades fora do meu estado.

Então, isso talvez tenha me habilitado, somando às contribuições que a gente tinha dado à época, a ser convidado pela APICICON para fazer parte do quadro. Daí em diante nossas contribuições foram sempre acadêmicas, até que no último mandato da professora Francilene nós fomos convidados pelos Acadêmicos, pelos confrades e confreiras, à assumir essa missão de encabeçar, de presidir e dar um novo passo ali, um novo momento para a nossa APÍCICON.

Eu recebi isso com muito carinho com muita atenção e hoje a gente está tendo a oportunidade de desenvolver alguns projetos que fortalecem a Academia como um todo, desde o incentivo à produção científica, à própria proliferação da ciência com as provocações e as inserções das diversas temáticas da atualidade, mas também cumprindo um papel muito importante de qualquer instituição que é servir à sociedade. E aí a Academia assume esse papel de servir a sociedade acadêmica, servir a sociedade estudantil, mas servir também ao estado do Piauí, de alguma forma contribuindo, seja com o meio ambiente, seja com as atividades que possam propiciar desenvolvimento ao estado.

 

Na sua visão, como está o cenário da profissão contábil neste pós-pandemia?
Olha, há muitas revistas jornais reportagens que desafiam as profissões regulamentadas e chegam até a relatar que elas estão ameaçadas em sua existência. 

Eu não acredito que nenhuma profissão milenar, nada que seja atemporal universal e que não tem absolutamente nenhuma lei contra, que possa ser destruída. Então a profissão contábil é isso ela é universal, ela é atemporal. Aliás, nas tábuas das escritas milenares a contabilidade estava presente. No próprio surgimento da escrita, surgimento da própria humanidade, a Contabilidade estava presente. então eu não acredito em nenhum desfecho ou nenhuma dissolução de uma profissão como a Contabilidade.

O que acontece é que nós estamos num momento em que a humanidade está evoluindo para um outro nível, que é o nível da tecnologia, que é o nível da nova ordem. A pandemia apenas acelerou este processo, acelerando dez anos de avanço tecnológico em três anos. 

Com isso, a gente está diante de um Novo Mundo, o mundo do Metaverso, mundo dos blockchains, mundo das criptomoedas, no mundo da quebra da propriedade da matéria, que agora nós podemos estar em vários lugares ao mesmo tempo. Então nós estamos diante desse Novo e todos nós temos que nos adaptar. E a Contabilidade também estará adaptada.

Portanto nós teremos um novo profissional, um profissional que estará além da burocracia estará além do simples registro e estará diante de um dos maiores desafios que é poder manter a ordem e o Progresso da economia.

 

Em sua opinião, como está o desenvolvimento profissional dos contabilistas do Piauí? E que tendências você enxerga no âmbito do aprimoramento acadêmico contábil do país?
Sobre estado do Piauí, eu quero até dar um testemunho: ele está à frente de muitos estados brasileiros por uma simples razão, o Piauí, com todo esse programa de educação continuada que o Conselho Federal de Contabilidade tem desenvolvido ao longo da última década, formou duas turmas de mestrado e uma turma de doutorado. 

O que significa isso para a ciência? significa dizer que gravado no estado do Piauí você tem uma academia mais preparada para formação do profissional porque nós temos um professor mais atualizado um professor mais preparado, sobretudo diante das fórmulas de mestrados atuais, que não ficam só na teoria, que atrelam a teoria à prática, à formação do mercado como um todo. Então eu acredito que nós estamos aí com um cenário de aproximadamente dezessete instituições de ensino que têm a profissão contábil.

Temos algo em torno de oito mil profissionais registrados e acreditamos que dentro dos próximos cinco anos a gente tenha o dobro da quantidade de profissionais registrados. E sabe qual o porquê disso? Por conta do interesse da profissão. O interesse pela profissão continua apesar de tudo isso que vem se falando, como nós dissemos anteriormente. 

 Contabilidade é uma das três profissões mais procuradas no Brasil porque ela é universal, atemporal, contemplativa. Talvez uma das poucas profissões que tem em sua grade curricular na sua matriz curricular temas como a economia, como direito, como a psicologia, como a sociologia, como a contabilidade com todas as áreas. 

Uma profissão que estuda na administração, economia, direito e contas e tributos, ela é, por si só, uma profissão muito completa. Se você for olhar as outras profissões elas não têm essa abordagem.

Então, esse é um cenário favorável para todo o Brasil, mas no âmbito do Piauí, eu acredito que nós estamos preparados para os novos desafios rumo ao que está por vir e, é claro, que o aprimoramento acadêmico vai ser constante diante do aumento de mestres e doutores e professores mais profissionalizados, e também diante do trabalho que o CFC tem feito, que é o aprimoramento das diretrizes curriculares adequando o ensino às novas necessidades do mercado.