Título: The Age of Extraction
Autor: Tim Wu
Ed: Alfred A. Knopf
Ano: 2025
Quase 10 anos após a edição do bestseller, Os Mercadores da Atenção, Tim Wu, professor da Universidade de Colúmbia, nos brinda com mais uma obra-prima.
“A Era da Extração”, em tradução livre, uma vez que ainda inexiste versão em português, é tão ou mais provocativo que seu irmão de 2016.
O livro nos faz refletir sobre os impactos da universalização de plataformas e como essa situação tem redimensionado os fluxos de riqueza em todas as sociedades.
Amazon, Uber, Facebook, OpenAI, Google tendem a ser mais lembradas pelo impacto em áreas mais visíveis e pela ampla maioria dos cidadãos, mas essa é só parte da nova realidade econômica.
Uma profusão de outras plataformas de acesso em diferentes áreas e mercados, tais como imóveis, planos de saúde, ensino online, por exemplo estão disponíveis a qualquer um com um celular e uma conexão à Internet.
A compra de um carro ou o aluguel de um apartamento já podem ser feitos por meio de sistemas de gigantes de tecnologia, que arregimentam uma multidão de corretores, compradores, avaliadores, etc.
Dentre os insights mais interessantes e provocativos está a comparação que o autor faz entre os espaços de convivência do passado e as plataformas atuais.
Entre os primeiros estão a Ágora (na Grécia), os mercados medievais, as feiras de produtores, os parques e jardins. Todos, espaços de convivência ou atividade econômica, mas públicos por natureza.
Em oposição, as novas plataformas tecnológicas de saúde, ensino, comércio e diversão são privadas, cobrando de forma direta ou indireta (custo da atenção, por exemplo) pelo seu uso.
O autor compara esse momento histórico ao “grande cercamento” das propriedades na Inglaterra, que redefiniu o conceito de propriedade nos anos subsequentes. A obra é breve, pouco mais de 200 páginas e de fácil leitura, nem por isso menos inquietante.
O impacto da “plataformização” em nossas vidas é gigante e, mais das vezes, pouco percebido. Por isso o livro inicia (parte I) contextualizando o fenômeno e posicionando-o junto a outras ondas de “otimismo tecnológico” do passado.
As outras duas partes tratam dos movimentos coletivos que as plataformas promovem e como isso recebeu, adicionalmente, a contribuição da Inteligência Artificial, que exacerbou a concentração de poder econômico.
Ademais, nossa conexão com as novas tecnologias tem se espraiado para o reino das ligações afetivas, com empresas provendo acompanhantes virtuais.
Por último, o tema da igualdade é tratado. A reflexão sobre o impacto desse novo colonialismo, ou extrativismo tecnológico, não é nova.
O economista e ex-ministro grego Yanis Varoufakis também tratou dessa temática em profundidade em outro best-seller (dessa vez com tradução para o português): Tecnofeudalismo. Porém, isso já é matéria da próxima coluna. Aguardemos.
Boa leitura!