Livro: The Age of Extraction
Livro: The Age of Extraction
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Livro: The Age of Extraction

Edição 56
ISSN: 2357/7428
Maio/2026
5 min

Título: The Age of Extraction
Autor: Tim Wu
Ed: Alfred A. Knopf
Ano: 2025

Quase 10 anos após a edição do bestseller, Os Mercadores da Atenção, Tim Wu, professor da Universidade de Colúmbia, nos brinda com mais uma obra-prima. 

“A Era da Extração”, em tradução livre, uma vez que ainda inexiste versão em português, é tão ou mais provocativo que seu irmão de 2016. 

O livro nos faz refletir sobre os impactos da universalização de plataformas e como essa situação tem redimensionado os fluxos de riqueza em todas as sociedades. 

Amazon, Uber, Facebook, OpenAI, Google tendem a ser mais lembradas pelo impacto em áreas mais visíveis e pela ampla maioria dos cidadãos, mas essa é só parte da nova realidade econômica. 

Uma profusão de outras plataformas de acesso em diferentes áreas e mercados, tais como imóveis, planos de saúde, ensino online, por exemplo estão disponíveis a qualquer um com um celular e uma conexão à Internet. 

A compra de um carro ou o aluguel de um apartamento já podem ser feitos por meio de sistemas de gigantes de tecnologia, que arregimentam uma multidão de corretores, compradores, avaliadores, etc. 

Dentre os insights mais interessantes e provocativos está a comparação que o autor faz entre os espaços de convivência do passado e as plataformas atuais. 

Entre os primeiros estão a Ágora (na Grécia), os mercados medievais, as feiras de produtores, os parques e jardins. Todos, espaços de convivência ou atividade econômica, mas públicos por natureza. 

Em oposição, as novas plataformas tecnológicas de saúde, ensino, comércio e diversão são privadas, cobrando de forma direta ou indireta (custo da atenção, por exemplo) pelo seu uso. 

O autor compara esse momento histórico ao “grande cercamento” das propriedades na Inglaterra, que redefiniu o conceito de propriedade nos anos subsequentes. A obra é breve, pouco mais de 200 páginas e de fácil leitura, nem por isso menos inquietante. 

O impacto da “plataformização” em nossas vidas é gigante e, mais das vezes, pouco percebido. Por isso o livro inicia (parte I) contextualizando o fenômeno e posicionando-o junto a outras ondas de “otimismo tecnológico” do passado. 

As outras duas partes tratam dos movimentos coletivos que as plataformas promovem e como isso recebeu, adicionalmente, a contribuição da Inteligência Artificial, que exacerbou a concentração de poder econômico. 

Ademais, nossa conexão com as novas tecnologias tem se espraiado para o reino das ligações afetivas, com empresas provendo acompanhantes virtuais. 

Por último, o tema da igualdade é tratado. A reflexão sobre o impacto desse novo colonialismo, ou extrativismo tecnológico, não é nova. 

O economista e ex-ministro grego Yanis Varoufakis também tratou dessa temática em profundidade em outro best-seller (dessa vez com tradução para o português): Tecnofeudalismo. Porém, isso já é matéria da próxima coluna. Aguardemos. 

Boa leitura!